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Domingo no Parque

NINGUÉM PODERIA IMAGINAR QUE O SHOW DO DEADFISH, QUE FECHAVA A ETAPA, FOSSE ACOMPANHADO POR QUASE 15 MIL PESSOAS

Enquanto o “alemão” se despedia lá em Interlagos, com direito a vitória de ponta a ponta do brasileiro Felipe Massa, algo diferente acontecia no Parque da Independência, longe das 48 super cameras da toda poderosa, dos banquetes regados a prosecco para VIPES, bicos e “convidadas”. Cercados pelo Museu do Ipiranga, o Monumento à Independência, e mais de cinco toneladas de alimento arrecadadas, 8 mil “soldados” postados às margens do riacho onde D. Pedro I, em 1822, declarou, a Independência do Brasil, celebravam mais um domingo de rock na rua, independente e de graça. Foi a 4a etapa do Street Rock 2006, o maior festival de rock independente de São Paulo (faz tempo), responsável, só esse ano, por levar música boa (na nossa opinião e na de milhares de jovens que não acham o Faustão o “rei” dos domingos), para mais de 20 mil pessoas, em troca apenas de um quilo de alimento por pessoa, doado a instituições de caridade. Para quem ainda acreditava que o evento tinha perdido parte do seu público com a mudança de endereço, depois de cinco anos de shows ao vivo no Parque do Ibirapuera, a etapa deste último domingo foi a prova dos nove. A impressão que se tem hoje, quando se chega ao Parque da
Independência num domingo de sol como o de ontem, é a de que o palco do Street Rock “nasceu ali”, entre o Monumento à Independência, as palmeiras imperiais e o belo Museu da Ipiranga. Eram duas da tarde e o palco onde as quatro atrações desta terceira etapa – Full Heart Subtera, Garage Fuzz e Dead Fish, por ordem de entrada – iriam se apresentar, começava a ser cercado por milhares de jovens, que não paravam de chegar de todos os lados do parque. A organização do evento previa um recorde de público, mas ninguém poderia imaginar que o show do Dead Fish, que fechava a etapa, fosse acompanhado por quase 10 mil pessoas. Tudo isso sem chamada no Faustão, “páginas duplas”, promoções e jabas na mídia. Apenas o apoio de entidades e empresas que acreditaram desde o início que levar música de qualidade de graça para um público cansado da mesmice despejada pela grande mídia, principalmente aos domingos, não era um sonho impossível. Cinco anos e 24 etapas depois, temos a certeza de que o sonho não só é possível como abre um leque de possibilidades infinitas, do tamanho do público que esteve no parque ontem. Vê se não espalha, mas 5 de novembro tem mais.